3) Minicursos

Diálogos entre a historiografia e Ensino de História: desafios e possibilidades.

Claudia Patrícia de Oliveira Costa (Doutoranda/ FFP-UERJ)

Luiza Rafaela Bezerra Sarraff (Doutoranda/ FFP-UERJ)

Ana Maria Monteiro e Fernando Penna, no artigo “Ensino de História: saberes em lugar de fronteira”, defendem a necessidade de que se entenda o trabalho em ensino de História como um lugar de fronteira. Primeiro, destacam que é preciso compreender a fronteira como um “(…) lugar onde são demarcadas diferenças, mas onde também é possível produzir aproximações, diálogos ou distanciamento entre culturas que entram em contato” (MONTEIRO, PENNA, 2011, pp 194). Entendemos, então, que um lugar de fronteira significa um lugar em que o ensino de História se define e se demarca em sua especificidade, com sua epistemologia e metodologia própria e diferente do conhecimento produzido pelos historiadores de ofício. Mas também dialoga e se aproxima com outros campos de conhecimento. Desta forma, é possível dizer que o lugar de fronteira também é um lugar de negociação das distâncias “entre os homens através da linguagem – distância essa que pode ser reduzida, aumentada ou mantida consoante o caso: seja esse o ensino ou sua pesquisa” (MONTEIRO, PENNA, 2011, pp 194).

Este arcabouço teórico nos ajuda a refletir sobre a importância de não nos prendermos a este ou aquele lugar, mas sim, compreender que é apenas no diálogo e na interação que se constroem pesquisas que melhor problematizam seu objeto e conseguem aprofundar o trabalho reflexivo.

O lugar de fronteira e a negociação das distâncias nos ajudam a compreender a necessidade de mobilizarmos saberes das mais diversas áreas para que possamos apreender melhor a questão do ensino de História.

Considerando esta perspectiva, ao longo do minicurso, propomos a discussão de questões que destaquem as imbricações entre a historiografia e o ensino da história, bem como apontar algumas possibilidades de interpretação para as narrativas construídas a fim de balizar o ensino de história na Educação Básica.

A temática indígena no Ensino de História: reflexões a partir da lei 11.645/08.

Maria Perpétua Domingues (Doutoranda/ PPGH-UNIRIO)

Rafaela Albergaria Mello (Mestre/ Colégio Pedro II)

Esse minicurso apresenta uma proposta de articulação entre a temática indígena e o ensino de história nas escolas brasileiras. A lei 11.645/08 tornou obrigatório o ensino da história e cultura indígena nas escolas públicas e privadas do Brasil. A prescrição legal cria expectativas em saldar dívidas dos currículos oficiais por parte das populações indígenas que vivem no Brasil, suscita reformulações tanto no âmbito escolar quanto no acadêmico e ao mesmo tempo encontra resistência em romper com a tradição escolar. Mesmo em situação de extrema opressão, indígenas desenvolveram formas de agir no mundo colonial e pós-colonial e os movimentos sociais indígenas de hoje reivindicam seu reconhecimento como sujeitos históricos e da mesma forma reivindicam suas memórias, (re) contando suas histórias.

Diante disso, temos como objetivo nesse minicurso refletir sobre a história indígena e a sua importância, articular a lei 11.645 no ensino de história e inserir novas formas de abordagem sobre a temática.

O ensino da disciplina História se mantém nos currículos das escolas brasileiras há mais de um século. Ao ensino de história é atribuído um papel educativo, político, relacionado à construção da cidadania, num diálogo crítico entre a multiplicidade de sujeitos, tempos, lugares e culturas. Nessa perspectiva, o pensamento histórico deve contribuir para uma renovada leitura da contemporaneidade indígena.

Representações da Antiguidade no Cinema e na Televisão

Ellen Moura (Mestre em História NEREIDA/PPGH-UFF)

João Carlos d’Almeida e Souza (Mestrando em História NEREIDA/PPGH-UFF)

Juliana Magalhães dos Santos (Doutoranda em História NEREIDA/ PPGH-UFF)

Talita Nunes (Doutora em História NEREIDA/PPGH-UFF)

Thiago Pires (Doutorando em História NERO/PPGH-UNIRIO)

O minicurso tem como proposta analisar diferentes abordagens sobre a antiguidade realizadas pelo cinema. Como o cinema olha para antiguidade? Como o cinema interpreta noções sobre sexualidade, gênero, alteridade, circulação de pessoas, bens culturais e ocupação espacial? Compreendemos que o olhar sobre o passado parte de questões sobre o presente, e que os questionamentos aqui propostos fundamentam tal postura. Entendemos que essas preocupações estão atravessadas de discursos específicos, produzidas pelo efeito espaço-tempo, que tentam defender, refutar ou reafirmar posturas dos seus interlocutores, projetando no passado realidades do presente. A partir dessas reflexões, apresentaremos diversas produções fílmicas para compreender como o homem contemporâneo interpreta sua realidade cultural, social e política a partir de uma perspectiva de um passado longínquo. Para tal, abordaremos temáticas ligadas à identidade e gênero, duas importantes fontes de reflexões para a sociedade ocidental na atualidade.

Religião, trabalho e política: perspectivas da história das mulheres

Ana Letícia Domingues Jacinto (Mestranda/ PPGSD-UFF)

Karen de Sales Colen (Mestranda/ PPGSD-UFF)

Naiara Coelho (Mestranda/ PPGSD-UFF)

Esta proposta de minicurso pretende investigar e debater a história das lutas e conquistas das mulheres, especialmente no cenário brasileiro, a partir de três eixos centrais, que refletem importantes estruturas da sociedade brasileira: a religião, o trabalho e a política. Conforme elucidado por Saffioti (1979), as identidades da mulher e do homem, são construídas “através da atribuição de distintos papéis, que a sociedade espera ver cumpridos pelas diferentes categorias de sexo”, delimitando seus espaços e possibilidades de atuação. Pretendemos então, analisar as lutas femininas e do movimento feminista, que se insurgiram ao longo da história brasileira contra os diferentes papéis sociais atribuídos a cada sexo, reivindicando a valorização, a autonomia e o alargamento dos espaços de atuação das mulheres no Brasil. Dentro da perspectiva da religião, será abordado o surgimento da Teologia da Libertação na América Latina e a trajetória da Teologia Feminista, a partir do estudo das reivindicações e construções da consciência feminista e dos ideais e valores do catolicismo” (NUNES, 2008). No que se refere à força de trabalho feminino, refletiremos sobre como os papéis sociais influenciaram na separação dos trabalhos exercidos por homens e mulheres, que possuem diferentes destinações e valores sociais agregados (KERGOAT, 2009), e que, portanto, demandaram luta e organização por parte das mulheres trabalhadoras em busca do reconhecimento e igualdade. Quanto ao campo político, serão analisadas as configurações do direito à cidadania para mulheres, uma vez nas sociedades patriarcais as mulheres não são vistas como indivíduas em si mesmas, mas “como indivíduos mulheres, que escapam, pois, ao caráter universal do conceito de indivíduo e, portanto, de cidadão” (LAVINAS, 1997) e, por este motivo, são afastadas da esfera pública e dos espaços de poder.

O partido dos Panteras-Negras (1966-1974): história, historiografia, memórias e legados.

Raquel Barreto (Doutoranda/ PPGH-UFF)

O curso oferece uma visão panorâmica da história do Partido dos Panteras Negras (1966-1981) que no Brasil, tonaram-se mais populares por seu conteúdo “estético” e “performático” do que por sua ideologia, ações e contribuições ao debate social e político dos Estados Unidos. A organização fundada por Huey P. Newton e Bobby Seale em Oakland, Califórnia, em outubro de 1966, tem uma complexa história que se conecta a uma longa tradição de organização política e social no interior da comunidade afro-americana. O curso analisará temas como a ideologia, os programas sociais, as campanhas eleitorais, o jornal, as memórias e também as suas contradições. Além disso, analisará a historiografia sobre o tema que concentra uma produção bibliográfica nos Estados Unidos da América de mais de trinta anos.

Do Imperialismo ao Capital-Imperialismo contemporâneo.

João Paulo de Oliveira Moreira (Doutorando/ PPGH-UFF)

O presente minicurso tem por objetivo analisar as transformações no imperialismo até a sua fase capital-imperialista atual. Para tanto, propomos inicialmente uma retomada das reflexões sobre as condições históricas concretas que possibilitaram a virada do capitalismo concorrencial para o de tipo monopolista, ainda no século XIX, consorciado a sua concentração e expansão dos capitais. Tal movimento retroativo tem como finalidade a compreensão de que as transformações no capitalismo durante o século seguinte são processuais e representaram substantivamente alterações no ritmo, expansão, violência e mecanismos de consenso do imperialismo para o que a professora Virgínia Fontes chamou de “Capital-Imperialismo”. Compreendemos que após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), intensificou-se uma íntima ligação entre as características socioeconômicas da concentração de capitais com a capilarização de suas bases sociais, tanto com a proliferação de Aparelhos Privados de Hegemonia das classes dominantes, quanto com o aprofundamento dos processos de expropriações e mercantilização da vida social. Tal processo possibilitou o aprofundamento de contradições nas sociedades capitalistas contemporâneas, uma vez que adentramos os anos 1990 e o século XXI com uma escalada brutal das guerras, crises políticas, econômicas e ambientais, que não apenas perduram como se aprofundam. Frente este cenário vertiginoso de transformações socioeconômicas, intentamos, neste minicurso, fomentar uma reflexão crítica acerca das transformações, mas também da própria configuração do capitalismo contemporâneo.

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2 respostas para 3) Minicursos

  1. Lilian Ojeda disse:

    Olá, boa tarde. Gostaria de saber quando abrirá a inscrição e onde poderia me informar sobre o preço dos minicursos.

  2. Prezada,
    As inscrições serão abertas junto com as de ouvintes. Elas não terão custos e ocorrerão ainda este mês. Fique atenta ao nosso blog e página do FB.
    Abraços,

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